Recursos para Monitorizar os seus Resultados Clínicos

 

Vários instrumentos têm vindo a ser desenvolvidos e estudados com o objectivo de monitorizar os resultados das intervenções psicológicas. Os diferentes sistemas de monitorização (ou de feedback) variam em tamanho, temas abordados e critérios utilizados para mensurar a eficácia clínica. O psicoterapeuta deverá escolher o instrumento que melhor corresponda às suas necessidades clínicas e/ou de investigação, tendo também em conta o grau de validação empírica de cada instrumento. [1]

 

Três sistemas que se destacam pela alta qualidade e elevado grau de evidência empírica a suportá-los são o Outcome Questionnaire-45 (OQ-45) [2], o CORE-OM [3] e o PCOMS [4].

 

 

  

O OQ-45 é um dos instrumentos de resultados clínicos mais utilizados e investigados até hoje [25]e recomendado pela Substance Abuse and Mental Heath Services Administration (SAMHSA). Desenvolvida pelo Dr. Michael Lambert e colaboradores, é uma medida de auto-relato do cliente, criada com o objectivo de avaliar o progresso do mesmo durante a intervenção psicológica e após a sua conclusão. O OQ-45 é constituído por três subescalas:

  1. Sintomas de desconforto subjectivo (depressão e ansiedade)
  2. Relacionamentos interpessoais (solidão, conflito com outros e dificuldades familiares e familiares)
  3. Contexto social (dificuldades no local de trabalho, escola ou deveres domésticos)

O OQ-45 demora cerca de 3-5 minutos a preencher. É recomendada a administração sessão-a-sessão, de modo a avaliar continuamente o estado psicológico do cliente ao longo do processo terapêutico. O instrumento poderá também ser administrado em intervalos de tempo pré-definidos, como por exemplo de 5 em 5 sessões. 

A administração do OQ-45 poderá ser feita manualmente, com cópias de papel, ou digitalmente, através do software OQ-Analyst. Este software processa os resultados do cliente e cria automaticamente um gráfico de progresso terapêutico, reportando assim a eficácia da intervenção psicológica. Os valores obtidos em cada subescala ajudam também a identificar áreas particularmente problemáticas, sinalizadas pelo OQ-Analyst como sugestão de foco para o tratamento. O software fornece um feedback final sobre a trajectória de mudança do cliente, comparando-a com a trajectória esperada estatisticamente, com base em dados recolhidos a partir de milhares de processos terapêuticos concluídos.

 

 Imagem 1. Tratamento de dados e apresentação gráfica da

monitorização de resultados através do OQ-Analyst.

 

 

Os direitos do instrumento e software associado são detidos pela empresa OQ-Measures.  

 


 

 

O Clinical Outcomes in Routine Evaluation – Outcome Measure, ou CORE-OM, é um instrumento de auto-relato do cliente com 34 itens, amplamente estudado e utilizado, principalmente no Reino Unido. [3]

 

Figura 2. Linhas de corte a definirem gravidade do caso clínica conforme pontuação total do CORE-OM.

O instrumento é composto por quatro subescalas:

  • Bem-estar subjetivo (W)
  • Problemas e sintomatologia (P)
  • Funcionamento social e pessoal (F)
  • Comportamentos de Risco (R)

Tal como com o OQ-45, o CORE-OM pode ser aplicado sessão-a-sessão ou em intervalos de tempo maiores, tendo como objectivo último a avaliação do progresso e resultado final da intervenção psicológica.

 

A pontuação total obtida através do CORE-OM pode ser comparada com as linhas de corte estabelecidas empiricamente, fornecendo uma avaliação da gravidade do estado psicológico do cliente.

 

 

 

Para além da versão em papel, o CORE-OM pode também ser administrado digitalmente através do software CORE NET, que processa e apresenta os dados do cliente graficamente. A imagem em baixo apresenta a monitorização de resultados feita sessão-a-sessão num processo terapêutico de 8 sessões.

 

Figura 3. Representação gráfica dos resultados CORE-OM através do software CORE NET.

A linha superior (azul) traça a pontuação total obtida; a linha inferior (vermelho) traça a pontuação

total da subscala "comportamentos de risco (R)"; a linha pontilhada representa a linha de corte clínica.

 

Os direitos do instrumento e software associado são detidos pela empresa CORE IMS (Information Management Systems).

 


 

 

O Partners for Change Outcome Management System, ou PCOMS, é um sistema de feedback empiricamente validado e recomendado pela Substance Abuse and Mental Heath Services Administration (SAMHSA). Juntamente com o OQ-45, é possivelmente o sistema de monitorização de resultados com maior apoio científico. [45, 6]

 

O PCOMS consiste na aplicação de duas medidas breves: a Outcome Rating Scale (ORS) e Session Rating Scale (SRS). Criados em 2003 por Scott D. Miller e Barry Duncan, estes instrumentos têm como objectivo monitorizar o progresso dos clientes em psicoterapia. Com apenas 4 itens cada, as escalas possibilitam uma implementação especialmente rápida em todas as sessões do processo terapêutico, demorando menos de 1 minuto a preencher. O ORS é preenchido pelo cliente no princípio de cada sessão, e o SRS preenchido no final de cada sessão.

 

A ORS surge originalmente como uma alternativa breve para o instrumento OQ-45. Esta avalia o progresso clínico do cliente através do seu auto-relato quanto a quatro áreas:

  • Bem-estar subjectivo individual (de si para si)
  • Bem-estar interpessoal (com família e relações próximas)
  • Bem-estar social (no trabalho, escola, amizades)
  • Avaliação global de bem-estar

Os resultados da escala ORS reportam a eficácia da intervenção psicológica em curso ou já concluída, tal como sinalizam áreas de trabalho que possam ser mais relevantes para o processo terapêutico (ex: dificuldades nas relações próximas).
A segunda medida, a SRS, é aplicada no final de cada sessão, focando-se em variáveis relacionadas com a aliança terapêutica, um dos preditores mais fortes de sucesso em psicoterapia. [7] Os resultados desta medida sinalizam áreas de trabalho potencialmente problemáticas que o terapeuta terá de abordar dentro de sessão, como a definição de objectivos terapêuticos e a abordagem do terapeuta face a estes objectivos. Esta medida ajuda o terapeuta a adaptar responsivamente a intervenção psicológica às necesidades e características do cliente. 

 

O PCOMS pode ser administrado manualmente ou digitalmente. Vários serviços online possibilitam a administração digital e tratamento automático de dados do PCOMS, como por exemplo o site FIT Outcomes. A utilização digital do instrumento é acompanhada por uma representação gráfica dos resultados PCOMS (ORS e SRS) do cliente em todas as sessões.

 

Figura 4. Representação gráfica dos resultados PCOMS através do website FIT Outcomes.

A linha inferior (negrito) traça o progresso clínico do cliente, avaliado com o ORS;

a linha superior (cinzento) traça a qualidade da aliança terapêutica, avaliada com o SRS.

 

É possível fazer o download gratuito da versão em papel do PCOMS aqui.

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